O que você faria se observasse uma pessoa sofrendo morrendo aos poucos?
Optaria pela eutanásia ou lutaria contra a morte?
Nós assassinos de alma o que fazemos quando as vezes sem querer e outras nem tanto resolvemos dizer ou ignorar algo para ferir, abrir uma ferida tão grande capaz de matar só que devagarzinho, nos importamos com isso?
Quanta revolta sentiríamos se víssemos um ente querido ser assassinado sem qualquer tentativa de defesa? Quanto requinte de crueldade tem nisso? Quanto de amor ao próximo o assassino tem?
E nós assassinos de almas, quão somo diferentes daquele assassino de corpos?
Na piedade em destruir os sonhos alheios? Na inveja pelo que o outro tem ou consegue ser e nós não? Ou seria na compaixão ou talvez na capacidade de enxergar o outro como um ser humano que sente acima de tudo?
Matamos muitas almas em nossas vidas, quando destruímos os sonhos e fantasias de uma criança com palavras tão racionais, não pensamos o quão aquele ato modificará a vida dela.
Quando esnobamos o amor de alguém, não sabemos o quanto seu coração fica paralisado e apertado por dentro daquela caixa torácica. Quantas noites ela perderá remoendo na cama, ou o quanto aquele momento, que para você foi tão desprezível, afetará os relacionamentos futuros dela?
Qual será a quantidade de raiva que provocamos em alguém por sermos tão rudes, ignorantes ou estúpidos em algum momento? Será que aquela pessoa vai chegar a casa e transferir toda a sua raiva para a esposa e filhos por ter sido xingado ou levado uma fechada no carro pela nossa sempre companheira “a pressa”?
A única semelhança entre o assassino de corpos e o de almas é que ambos sempre podem se arrepender e fazer diferente.
O corpo morto não podemos recuperar e as almas talvez estejam feridas demais para isto, mas não custa tentar.
Dani Melo
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